Carta aos Pais

Um treinador de hockey ao presenciar uma atitude lamentável de um pai, e sabendo de sua posição como professor deveria respeitar a maneira que aquele pai escolhia para agir com seu filho e se manteve quieto e indignado com a situação. Entretanto ele escreveu este artigo que nos serve para reflexão de alguns pontos que nós, como pais, devemos ter cuidado.
“Sou apaixonado por ser treinador deste esporte e é por isso que quero compartilhar esta experiência com você. Este final de semana, enquanto treinava minha equipe sub-10, testemunhei a pior exibição de desportivismo / paternidade que já vi. Foi horrível. Não vou dizer os milhares de detalhes, vou apenas dizer que, eu fiquei chocado, envergonhado e triste.
Pais, não importa a categoria que seu filho esteja jogando, lembre-se, eles estão sempre dando tudo de si. Sentado na arquibancada, você pode pensar que ele está apenas perseguindo o puck e não jogado duro, mas como treinador, eu vejo esses filhos dando tudo o que têm. Eles jogam por amor ao jogo. Eles jogam porque para ele, o hockey é uma paixão diferente de qualquer outro esporte. Hockey não é um esporte “apenas por diversão”, que seus filhos jogam porque é fácil chegar e se mostrar, correr para fora do carro e começar a jogar. Não me interpretem mal, eles se divertem jogando, mas o ponto é que necessita de muito empenho, tempo, energia, horas e longas viagens para treinar e jogar. Ainda existe uma grande quantidade de equipamentos e patins, por isso é preciso esforço e o desejo de jogar, ou seja, não é pra todos ou qualquer um.
Como pais vocês têm regras. Sério, como um treinador e um pai companheiro, estou dizendo a você, você têm regras. Sim, eu sei que é seu filho, mas há limites. Linhas que você não deve cruzar. Eu não estou falando de linhas como um treinador, um árbitro ou um pai de outra equipe, estou falando de linhas que não devem ser cruzadas com os seus filhos.

1- Não subir no acrílico ou no muro para gritar com seu filho enquanto ele está na quadra ou no banco. Isso só faz você parecer um idiota.

2- Nunca abra a porta da quadra para chamar seu filho e fazê-lo patinar em sua direção para que possa gritar e repreendê-lo na frente da torcida, companheiros de equipe, treinador e a outra equipe. Isso faz você parecer um idiota ainda maior.

3- Isso nunca deve acontecer em nenhum lugar. NUNCA.
ALGUMAS COISAS SIMPLES PARA VOCÊ LEMBRAR QUANDO ESTIVER NO JOGO:
a- ELES SÃO CRIANÇAS. Acredite em mim, eu sei que às vezes pode ser frustrante, tenho dois dos meus próprios. Eles cometem erros. Não importa quantas vezes você diga a eles, eles esquecem, simplesmente não querem ou simplesmente não faz sentido.
b- ELES NÃO SÃO JOGADORES PROFISSIONAIS. Se assim fosse, você estaria sentado no camarote de luxo, comendo sanduíches com preços exorbitantes e torcendo com 18.000 outros fãs.                                                                c- ELES ESTÃO APRENDENDO O JOGO. Eu sei que isso parece repetitivo, mas eles estão aprendendo. Pense em quando você era pequeno. Você conseguiu tudo certo na primeira vez? Na segunda? Provavelmente nem na terceira. Eles estão tentando.
d- OBSERVE AS PEQUENAS COISAS. Ele pode não ser o melhor marcador, mas e daí, é um jogo de equipe. Aprenda a observar os jogos em que ele fez a diferença. Bloqueando um chute, tirando um puck no PK, fazendo um “back check” e salvando o time do gol de empate.
Se o seu filho não for um goleiro, parece que sempre pensamos que a única coisa que importa é marcar um gol. Como treinador quero parabeniza-los pelas pequenas jogadas e tranquilidade, mais do que a pontuação. Essa é a chave para ganhar jogos coletivos.
e- SEU TRABALHO É INCENTIVAR E PARABENIZÁ-LOS. O trabalho de treinador é treinar e ajudá-los a ficar melhor, mas o treinador deverá incentivar e felicitá-los também. Tudo o que eles querem ouvir da Mãe, Pai, Avós, Amigos, Vizinhos, qualquer um que venha para assistir os jogos é “BOM TRABALHO. VOCÊ REALMENTE JOGOU BEM.” Eles entendem que o treinador está lá para encorajá-los, orientá-los e ajudá-los a ficar melhor. Eles querem fazer você, (o PAI, MÃE OU RESPOSÁVEL), orgulhoso (a).
Eu aprendi muito em meus anos de treinamento e neste fim de semana, todo mundo na quadra teve um lembrete valioso de por que estamos lá em cada treino, cada jogo, cada torneio e cada momento de suas vidas para os nossos filhos. Repasse a suas ligas, amigos e família.”

Acerca de Stefani

Quem sou: Estudei Engenharia Mecânica e Educação Física. Sempre fui apaixonado por ensinar — e foi essa paixão que me levou à neurociência, para entender como o cérebro aprende, como funciona a cognição motora, a tomada de decisão e como cada fase da vida — da primeira infância ao adulto maduro — exige uma abordagem diferente. Minha trajetória: Nasci em 1980 e o hockey entrou na minha vida em 1996. Em 1998 ingressei na indústria automotiva, onde atuei até 2017. Em paralelo, contribuo com o desenvolvimento do hockey desde 2001, quando comecei como treinador no Clube 15 Veranistas. Depois, segui como treinador em Contagem, Belo Horizonte e em Valência, na Espanha. Desde 2024, tive a oportunidade de conduzir diversas categorias ao hockey no gelo. E desde então, meu maior objetivo é claro: disponibilizar uma pista para nossos atletas — e, no fim das contas, uma pista olímpica de gelo, na minha opinião, a melhor sensação de todos os esportes. Todas as nossas unidades trabalham incansavelmente para esse fim, para que todos possam se beneficiar. O que me move: Desenhar e otimizar processos é minha especialidade. Atribuo a isso o sucesso dos resultados que alcançamos em todos os núcleos de treinamento pelos quais passamos e/ou temos. Mas não é só sobre hockey. Não é só sobre processos. Não é só sobre método. Não é só sobre ensinar. Este é um trabalho que integra muitas variáveis — há mais de 30 anos. Sei onde chegar. Sei como chegar. Leva tempo, e alguns ovos serão quebrados para termos nosso omelete. No fim, tudo será como deverá ser. Se faz sentido para você, junte-se a nós nessa longa caminhada.

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